Análise Duke Nukem Forever

por: marcio1986 a: 2011-06-19 às: 01:49:14

Um Herói da Velha Guarda em Tempos Modernos.

Depois de ter derrotado a invasão alienígena à 12 anos atrás, Duke Nukem desfruta agora da sua vida de estrela na sua "Penthouse" em Las Vegas, acompanhado das suas duas gémeas que estão lá para satisfazer todos os seus desejos.
O problema é que os aliens estão de volta para mais uma rodada, e mais uma vez trazem planos para as mulheres terrestres. Cabe a Duke parar a invasão mais uma vez e como é que ele o vai fazer? É simples, enchendo os aliens de chumbo enquanto vai dizendo umas piadas obscenas, ofensivas e tirando alguns casos raros sem a mínima piada.

Confesso que nos primeiros momentos em que peguei no jogo fiquei surpreendido, não pelo facto de um jogo que esteve mais de uma década em produção ter uma apresentação e jogabilidade antiquada, mas pelo facto de me terem cobrado setenta euros pelo jogo.

De acordo com os padrões atuais Duke Nuke Forever é de facto um mau jogo, com uma apresentação gráfica ao nível dos jogos da antiga geração recriados para Alta Definição, com uma jogabilidade antiquada que já não se encontra nos First Person Shooters de hoje. Jogabilidade esta que baseia-se em dividir a acção com secções de plataformas que não apresentam qualquer desafio, mas que servem para nos trazer momentos chatos e aborrecidos e por vezes frustrantes quando um salto ou outro não corre como previsto e nos obriga a repetir tudo novamente.

Percebe-se que a Gearbox limitou-se a juntar e a empacotar aquilo que já havia sido criado pela 3D Realms, não trazendo mais que um serviço para os fãs da série. E só mesmo estes fãs ou quem tenha algum gosto pelos shooters dos anos 90, poderá tirar algum proveito deste jogo, para os que não se incluem neste grupo ficam melhor se nunca passarem por esta experiência.

O combate em DNF é bastante simples, agarramos na melhor arma que conseguirmos encontrar e disparamos até que os inimigos caíam por terra, claro que existe sempre uma arma mais apropriada para cada situação, mas devido ao comportamento auto-destrutivo dos inimigos que avançam sobre nós sem pensar duas vezes acabamos por andar sempre numa correria desenfreada pelas áreas enquanto vamos disparando para tudo o que se mexe. Os inimigos mesmo utilizando sempre as mesmas tácticas possuem Inteligência suficiente para se desviarem dos nossos ataques, embora o façam assim que passamos com a mira por eles o que faz com tudo pareça muito mecanizado. A variedade de inimigos também deixa algo a desejar e quando terminamos a primeira metade da campanha single player já vimos tudo o que há para ver (até o último boss é uma versão um pouco mais difícil do primeiro).

Normalmente tenho por hábito, jogar nas dificuldades maiores porque para além de me proporcionar um maior desafio, salienta também os pontos negativos e positivos de um jogo. E no caso de DNF sobressaíram os pontos negativos, mais especificamente a física irrealista dos inimigos conhecidos por Pig Cops Berserker, que quando saltam para cima de nós fazem-no de uma maneira tão irregular e imprevisível que torna-se impossível retaliar. Em alguns momentos o inimigo fica preso nalgum objecto do cenário quando salta, noutros teleporta-se praticamente para uma posição em que o perdemos de vista resultando na maioria das vezes numa morte frustrante.
Outro ponto negativo está relacionado com alguns cenários em que somos colocados para combater e a dificuldade irregular que esses mesmo apresentam, por exemplo quando temos espaço suficiente para nos movimentarmos com liberdade, existe sempre uma maneira ou outra de conseguirmos combater ou evitar os ataques dos inimigos, mas quando estamos presos numa plataforma estreita sem nada para nos proteger a nossa única opção é andar de um lado para o outro, disparar para todo o lado e rezar para que não sejamos mortos (como se costuma dizer, tudo ao molho e fé em Deus) e esta situação agrava-se quando estamos perante um Boss e rodeados de inimigos, ou seja, são situações injustas que nos fazem mais depender na sorte do que na perícia. Talvez não seria tão frustrante se não tivéssemos de aguentar com um load de 30 segundos cada vez que queremos voltar ao jogo depois de morrermos.

Para o regozijo dos fãs, o arsenal de Duke é todo ele baseado no equipamento presente em Duke Nukem 3D, por isso podem esperar reencontrar o raio encolhidor e raio congelador que fazem exactamente aquilo que o nome indica, a metralhadora de múltiplos canos está também presente, tal como a caçadeira, lança foguetes e o lança foguetes melhorado conhecido por devastador e temos ainda acesso a algum armamento novo que baseia-se no arsenal dos aliens que consiste em armas lazer. Podem também encontrar itens conhecidos, como os esteróides que aqui tornam o Duke numa máquina de socos, sendo impossível utilizar armas enquanto Duke se encontra sobre o efeito dos esteróides, algo que é pouco útil especialmente quando os inimigos estão fora de alcance, a visão noturna para se ver no escuro e a cerveja que torna Duke mais resistente ao dano. Existem ainda os acessórios de suporte como as bombas de cano e minas lazer que detonam sempre que algo passa em frente ao lazer (estes itens também são importados do D.N. 3D). Todo este arsenal na minha opinião sofre da falta de impacto, quero dizer com isto que não se sente o poder das armas quando atingimos os inimigos, que continuam a correr e a disparar como se nada fosse e mesmo quando morrem apenas caiem para o chão (ou explodem sem deixar rasto dependendo do tipo de inimigo). Num jogo deste género é esperado ver-se braços a voarem, corpos despedaçados e explosões enormes, mas infelizmente... tal não acontece.

Para além das "muito divertidas" secções de plataformas o jogo tenta diversificar a jogabilidade colocando-nos ao volante de um veículo motorizado em determinados momentos, mas quer estejamos a conduzir um monster truck ou um carro telecomandado (quando estamos encolhidos) a experiência é sempre a mesma, são momentos parados sem muito a acontecer no ecrã onde vamos alinhando o carro com a próxima rampa para efectuar-mos um momento à Evel Knievel, até que finalmente lá podemos passar a ferro um ou outro inimigo que se atravessa no nosso caminho.
Existe ainda um nível sub-aquático que não serve para nada senão mostrar mais uma vez a falta de esforço e qualidade presente no jogo. O Duke consegue nadar sem usar os braços (querendo dizer com isto que os movimentos são iguais aos movimentos fora de água), os inimigos que defrontamos são os mesmos aliens (parecidos com polvos) que encontramos nos níveis anteriores e os efeitos da água resumem-se a adicionar um tom azulado ao cenário, ia-me esquecendo de mencionar as espectaculares bolhas de água que o Duke utiliza para recuperar o folgo.

Como obviamente andar aos tiros e saltar de plataforma em plataforma não é tudo o que um jogador procura num First Person Shooter, Duke Nukem Forever dispõem também de todo um conjunto de interações inúteis com determinados objectos que procuram claramente introduzir mais um aspecto cómico no jogo, mas ou sou eu que tenho um sentido de humor muito fraco ou então cozer pipocas num micro-ondas, desenhar num quadro com marcadores de diferentes cores e abrir portas orgânicas fazendo cocegas com o dedo indicador enquanto se diz "coochie coo" não tem realmente piada nenhuma. Embora inúteis no sentido da experiência do ponto de vista da pessoa que está a jogar, muitas destas interações são necessárias para aumentar o nível máximo do "Ego" que funciona como a nossa energia no jogo (algo ao estilo do escudo nos jogos Halo), o que torna importante estarmos constantemente à procura de objectos com que possamos interagir.
Para a aumentar ainda mais a diversão que é toda esta experiência, temos ainda alguns mini-jogos que estão de tal maneira mal concebidos que só o facto de estarem associados a alguns troféus é um crime. Tudo isto deixa-me a pensar se o jogo poderia ter sido melhor se o tempo e recursos perdidos com estes pormenores sem interesse tivessem sido melhor aproveitados.

Tal como foi referido no início desta análise, Duke Nukem Forever dispõem de uma apresentação e valores de produção muito fracos, os personagens são quadrados e pouco detalhados, os ambientes são vazios, sem cor e sem pormenor e as animações são do mais básico do que há. A banda sonora possuí uma ou outra música agradável (como o tema principal), mas tudo o resto são trabalhos desinspirados que pouco ou nada trazem para dar mais ambiente aos combates e aos restantes momentos do jogo.
A voz de Duke Nukem é novamente interpretada por Jon St. John tal como em Duke Nukem 3D, o seu esforço para tornar Duke num herói de ação genérico é certamente um daqueles caso especiais onde adoramos ou odiamos e o seu trabalho não é nada beneficiado pelas frases de marca que Duke repete constantemente sempre que elimina um inimigo, algo dentro do género de "Squeal piggy! Squeal" ou "Did I promise to kill you last? I lied." Depois temos também uma das piores representações de um presidente de uma nação, que expressa-se como se tivesse a ter uma conversar de café e umas vozes femininas que procuram o sexy, mas apenas conseguem dar um ofensivo estereotipo às mulheres.

É comum que num FPS a história seja um aspecto de segundo plano e que sirva apenas para nos dar uma razão para andarmos em guerra com alguém, mas no mínimo é esperado alguma consistência no desenrolar dos eventos, algo que nos sirva de guia para termos a noção de onde estamos, para onde vamos e o que vamos fazer. Duke Nukem Forever parece um conjunto de ideias mal coladas, deixando-me com a sensação que primeiro os produtores preocuparam-se em colocar um clube de Streap Tease e depois é que "pensarem" como é que iam introduzir esse elemento no jogo, a resposta foi "vamos fazer o Duke ficar inconsciente depois de um combate com um Boss e quando acorda está no clube de Streap" e como se não bastasse este método foi utilizado duas vezes para nos teleportar para o nível seguinte, se isto não é uma má produção não sei o que será.

O Modo online até foi uma surpresa agradável tendo em conta os restantes elementos do jogo, dispomos de vários mecanismos de filtração e de criação para que possamos jogar facilmente a um estilo de jogo que nos agrade, quer seja com um especifico conjunto de armas e itens ou em determinados mapas. Existe também um sistema de recompensas que baseia-se em completar determinados objectivos no decorrer das partidas, para desbloquear-mos novos acessórios de modo a podermos personalizar o nosso Duke (sim no modo online são Dukes contra Dukes) e a nossa Penthouse com obras de arte e mini-jogos, só é pena que a jogabilidade não seja afectada de nenhum modo por esta característica dando-nos poucas razões para nos preocuparmos com o sistema de recompensas.
Embora bem construído o Multiplayer fica limitado pela jogabilidade antiquada e pela falta de inovação dos modos de jogo, "Dukematch", "Team Dukematch", "Capture the Babe" e "Hail to the King" consistem basicamente nos modos tradicionais "Deathmatch", "Team Deathmatch", "Capture de Flag" e "King of the Hill" respectivamente e não apresentam nenhumas características que os difere dos restantes jogos. Ao menos existe uma grande variedade de mapas (dez no total) incluindo o mapa Hollywood do clássico do Duke Nukem 3D. Mesmo que os mapas não sejam muito grandes (o que também não convinha devido ao limite de oito jogadores por jogo), possuem algumas características bem implementadas que incorporam alguns elementos do modo Single Player, como por exemplo pequenos túneis que podemos utilizar como atalhos enquanto estamos encolhidos ou umas plantas que servem de trampolim para nos deslocarmos pelos mapas rapidamente. Talvez o que prejudica mais a experiência online seja o facto de podermos encontrar determinados itens ou armas sempre nos mesmos locais dos mapas, o que não só origina alguma desigualdade entre os jogadores com mais experiência e os novatos, como também incentiva a algumas tácticas pouco desagradáveis como o bem conhecido "Camping".

Duke Nukem Forever chegou às lojas com o intuito de dar aos fãs aquilo por que têm esperado à mais de uma década sem ter em conta a qualidade final do produto, que de maneira nenhuma justifica o preço ao qual está a ser comercializado. Se são fãs da série e apreciam o estilo de humor que Duke Nukem transmite, não deixem que a minha opinião vos deixe mudar de ideias, aconselho-vos apenas a esperarem por uma descida de preço porque Duke Nukem ou não, este jogo simplesmente não tem valores de produção que justifiquem o preço pedido. Para os restantes que apenas estão à procura de um novo FPS, esqueçam Duke Nukem Forever e sigam por outro caminho porque facilmente encontram outro jogo dentro do género mais barato e melhor produzido.

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