Análise Killzone 3

por: marcio1986 a: 2011-03-22 às: 01:39:47

Matar Helghasts continua a ser divertido, sobretudo se juntarem um amigo à festa.

A terceira parte da saga Killzone começa onde a segunda nos deixou. Visari, líder da nação Helghan já era, mas os helghasts estão longe de serem derrotados e está na hora de castigar os responsáveis pela morte do seu líder... que por mero acaso somos nós.

O jogo não começa propriamente logo a seguir aos eventos do segundo jogo, mas sim numa secção onde ao que parece toma-mos controlo de dois soldados helghast (eu sei que parece estranho, mas quando esta secção termina fica tudo explicado) só então é que começamos de verdade. O sargento Rico ainda está a levar nas orelhas por ter ido contra as ordens para capturar o Visari (o Rico não deve ter ouvido a parte em que tinham de captura-lo... com vida) quando uma frota helghast faz um ataque surpresa ás restantes tropas ISA, estes agora tentam escapar para o ponto de extracção antes de serem capturados pelos helghast que estão em maior número. Sendo assim, passamos grande parte da campanha a tentar sobreviver num planeta hostil, literalmente (existem plantas que nos atacam com um espigão semelhante ao de escorpião) enquanto vamos tentando resistir às vagas de helghasts.
Pessoalmente penso que não foi a escolha ideal terem morto a personagem mais icónica do universo Killzone, falo do Scolar Visari o líder dos helghast, uma personagem cheia de carácter que dava grande personalidade ao jogo, com a morte de Visari ficou um espaço por preencher como personagem antagonista e embora não faltem pretendentes ao trono nenhuma das novas personagens tem o mesmo carácter de Visari, talvez na tentativa de impor estas novas personagens na história o modo campanha tenha sido penalizado com longas cut-scenes que ocupam mais tempo do que o desejado.

O modo campanha segue o mesmo sistema dos seus antecessores onde temos de seguir do ponto A ao ponto B seguido de uma cinemática que nos põem a par da história e que nos leva ao próximo objectivo, muitas das secções são corredores repletos de obstáculos que nos servem de protecção onde podemos e devemos utilizar o sistema de cobertura introduzido no Killzone 2 este sistema mantém-se inalterado, tal como a inteligência dos nossos inimigos helghast, por isso se pensam que podem ficar sentados e descansados da vida atrás de uma cobertura é melhor terem cuidado não vá cair uma granada junto aos vossos pés, para além disso existem agora novas unidades helghast que se lançam na nossa direcção para nos darem uma palavra cara a cara sendo que não usam bem palavras, mas sim uma faca que nos incapacita instantaneamente. Em conjunto com estas novas unidades existem também novos veículos e tecnologias que vamos ter a oportunidade de experimentar ao longo da campanha tornando esta mais dinâmica. As secções de veículos colocam-nos normalmente ao comando de uma arma fixa enquanto o veículo move-se ao longo do campo de batalha automaticamente, o lado negativo destas secções é o facto de serem sempre iguais, (segui-mos sempre pelo mesmo caminho e os inimigos aparecem sempre nas mesmas alturas e nas mesmas posições) o que torna fácil decorar a posição de cada inimigo e faz com que a experiência seja menos divertida se voltarem a passar a mesma missão uma segunda vez. Melhor do que estar atrás de uma metralhadora com balas infinitas só mesmo um Jet Pack... com uma metralhadora com balas infinitas, e com este aparelho muito prático podemos saltar bem alto e atacar os helghast pelo ar enquanto vamos fazendo um pouco de jogo de plataformas, o melhor sobre o Jet Pack é dar-nos a opção de diferentes caminhos e atalhos deixando-nos experimentar diferentes tácticas caso a primeira tentativa não corra como esperado. Depois temos o Exoskeleton um "pequeno" e ágil robô bipedal que nos permite deixar um rasto de destruição por onde passamos desde meros soldados a artilharia pesada e como o jogo não abusa destas características não se tornam repetitivas nem entediantes.
Por fim quero só referir uma pequena novidade em relação ao nosso armamento, se jogaram ao Killzone 2 sabem que apenas podíamos transportar duas armas em simultâneo, a arma principal (metralhadora, caçadeira, etc) e a arma de suporte que por norma costuma ser uma pistola, no Killzone 3 temos acesso a um terceiro tipo de armas, armas pesadas (lança rockets, miniguns, etc), entre estas armas pesadas encontram-se algumas novidades introduzidas no arsenal dos helghast que na parte final da campanha nós temos o prazer de experimentar e que depois não temos vontade de as largar, mais especificamente falo da Arc Cannon uma arma que dispara uma substancia verde que apenas é encontrada no planeta Helghan, o disparo desta arma passa paredes e rebenta (literalmente) com qualquer helghast que tenha o azar de lhe passar pela frente... portanto é espectáculo.

Pela primeira vez na série Killzone existe um modo Co-op onde dois jogadores podem-se juntar e passar o modo campanha. Isto torna o jogo ainda mais divertido, é sem dúvida a melhor adição apresentada neste jogo. Tanto no modo single player como em co-op o jogo está muito mais acessível pelo facto que o Rico a personagem que nos acompanha durante a maioria das missões tirou um curso de medicina e sempre que caímos em combate ele está lá para nos por de pé, tirando as vezes em que está demasiado longe do nossa posição ou quando somos atingidos mortalmente como por exemplo quando somos atingidos por um ataque físico ou quando leva-mos um "headshot" (sim, os helghast têm uma pontaria certeira). Tal como o Rico o nosso parceiro Co-op também tem a habilidade de usar o aparelho para nos curar o que torna a campanha ainda mais acessível porque assim temos duas personagens que nos podem curar caso estejamos incapacitados. Por mais divertido que este modo torne o jogo não está livre de algumas limitações, sendo que a mais notável seja a ausência do modo Co-op online, por isso é bom que tenham um amigo por perto para jogarem no modo Co-op.

Se por mero acaso são um dos pouco orgulhosos proprietários do sistema Move, o Killzone 3 pode dar-vos uma razão para ligarem a vossa bolinha colorida mais uma vez. Vou ser sincero entre os controlos tradicionais e o Move, prefiro mil vezes os controlos tradicionais embora o Move traga uma nova maneira de se matar helghasts, não vos vou mentir, se já são prós em qualquer FPS com este sistema vão-se sentir uns autênticos noobs, mas se tiverem a paciência para se habituarem aos controlos vão ter mais uma razão para jogarem à campanha uma segunda vez. Não vão sentir uma sensação realista de estarem com uma arma em mãos se não comprarem o acessório de plástico que simula uma metralhadora, este pedaço de plástico encontra-se quase ao preço de um jogo completo o que nos tempos de hoje sai demasiado caro para qualquer família portuguesa, simplesmente não compensa comprar um acessório por este preço quando existe tão pouco software que lhe dê bom uso.

Em relação ao modo online não há muitas novidades e das que existem podem não ser exactamente agradáveis dependendo daquilo que estavam habituados a jogar no Killzone 2. Para quem nunca teve a oportunidade de experimentar, o modo online do Killzone 3 dispõem de várias classes que podemos evoluir à medida que vamos ganhando experiência e subindo de nível, este sistema é particularmente vantajoso na medida em que não nos obriga a jogar com uma especifica classe para evolui-la, ao subir-se de nível ganha-se pontos que podem ser atribuídos a qualquer classe, cada classe tem habilidades especificas no campo de batalha e todas elas são importantes para que a vitória possa ser alcançada, assim não existe uma classe que seja notavelmente superior a outra, tudo depende do estilo de jogo de cada um, do estilo de armas e habilidades que preferem utilizar (embora eu deteste profundamente a classe infiltrador).
Entre os vários modos multiplayer existe o modo "Botzone" que apesar de não ser no fundo um modo multiplayer é bastante útil nos preparar para as partidas online, permitindo-nos praticar em todos os mapas e com todo o arsenal de armas e habilidades contra bots, isto é particularmente útil para não se desperdiçar preciosos pontos em equipamentos e habilidades que não sejam as mais indicadas para o nosso estilo de jogo, só é pena que não seja possível jogar neste modo em split-screen algo que era possível no primeiro título da série e que até era bem divertido.
A Zona de Guerra é o modo que mais distingue o Killzone online dos outros FPS e já como acontecia no Killzone 2, este modo coloca duas equipas frente a frente no campo de batalha enquanto vão executando vários objectivos que alternam durante o decorrer da partida sem nunca a parar. O mais estranho a cerca deste modo é terem sido retiradas as opções de personalização das salas onde os jogadores podiam escolher que objectivos existiam ou não em cada partida, por isso aqueles que gostavam de um jogo personalizado vão talvez querer voltar ao Killzone 2, mas por outro lado aqueles que perdiam minutos à procura de uma sala sem restrições vão agradecer esta mudança. Depois temos o modo Guerrilha que é basicamente um modo Team Deathmatch onde duas equipas se enfrentam e tentam matar o maior número possível de inimigos. Por fim temos o modo Operações onde existe uma equipa a defender um objectivo enquanto a outra ataca e o que mais diverte neste modo é haver diversos objectivos no decorrer de cada partida, por exemplo se uma equipa consegue destruir um objectivo a equipa que defende bate em retirada para um novo ponto que nos leva para uma área diferente e durante estes eventos é mostrada uma cinemática que nos faz parecer que estamos no meio de um modo campanha, o problema é termos de parar a acção para vermos estas cenas que aparecem e desaparecem sem aviso e é um bocado frustrante se tivermos um inimigo na mira e perdermos a oportunidade de o matar devido a estas paragens, mas isso com o tempo aprende-se a evitar esse tipo de situações.
Com um grande leque de mapas que se adequam a qualquer tipo de jogo, bem construídos ao ponto de terem vantagens e desvantagens para qualquer tipo de classe existente, o modo online do Killzone 3 é motivo mais que suficiente para se embarcar nesta nova aventura contra os helghast.

Quanto à sua apresentação Killzone 3 segue o exemplo do seu antecessor e consegue até mesmo ultrapassa-lo. Com uma maior variedade de ambientes que vão das já bem conhecidas zonas industriais cinzentas repletas de edifícios em ruínas a florestas espaciais cheias de cor, tudo isto sempre com um nível gráfico de grande qualidade, o mesmo pode ser dito do detalhe gráfico das personagens que estão ainda superiores em relação ao jogo anterior. O trabalho de vozes pode não ser brilhante, mas é bem sucedido em dar um pouco de personalidade a cada personagem, as vozes portuguesas continuam a soar ainda um pouco forçadas embora não tenha sido um mau trabalho por parte dos actores portugueses. A banda sonora está a acima das vozes com músicas que impõem tensão em qualquer situação, os efeitos sonoros são do melhor que se pode ver num jogo do género com o barulho das balas a passar rente à nossa cabeça ou o som distinto que sai de cada arma de fogo.

Killzone 3 pode não ser a grande surpresa que o seu antecessor foi, embora traga algumas novidades como o bem executado modo co-op (que sofre a falta do componente online) e a integração do sistema Move para uma nova maneira de jogar, o modo online continua a ser a razão principal para se alistarem no novo Killzone que continua a ser dos melhores vídeo jogos do seu género.

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