Análise Nier

por: marcio1986 a: 2010-10-23 às: 04:41:40

A recta final de Nier quase nos faz esquecer o aborrecimento e a repetição... quase.

Esta história ocorre num mundo gravemente afectado por um vírus letal que diminuiu a população do planeta a uns escassos números. O protagonista sem nome faz os possíveis e impossíveis para encontrar uma cura para este terrível vírus que ameaça a vida da sua pequena filha.

Nier é um jogo de acção-aventura que desde cedo começa a dar sinais de querer inovar e distanciar-se dos restantes títulos do género. Qualquer um que tenha um razoável conhecimento sobre videojogos depressa repara que Nier adopta muitas características utilizadas noutros géneros de jogos. As mais fáceis de notar sãs as semelhanças que existem com Drakengard um título de acção-RPG desenvolvido pelos mesmos produtores de Nier, a maioria dos elementos RPG que aqui existem foram retirados do jogo acima mencionado, daí muitos reconhecerem Nier como um sucessor espiritual de Drankengard.

Características como a possibilidade de activar a barra de energia de cada inimigo ou a existência de dezenas de armas que apesar de não alterarem a jogabilidade em si mudam alguns elementos como a velocidade de ataque ou o número de combinações possíveis, (algumas destas armas são cópias autenticas de algumas armas existentes em Drakengard).

Bem, até aqui nada de extraordinário visto que hoje em dia qualquer jogo consegue incorporar elementos RPG, mas ainda estamos no começo. Ao entrar em determinadas secções do jogo com uma simples alteração na câmara o jogo simula o género de plataformas 2D ou então fixava-se de cima para baixo e de repente sentia que estava a jogar um jogo da acção-aventura dos velhos tempos algo ao estilo de Zelda.
Existem ainda outros elementos como resolver enigmas e puzzles, momentos que simulam os shooters antigos onde tínhamos que evitar centenas de balas um género agora conhecido por HellShooter ou então pode-se relaxar um pouco e praticar um pouco de pesca e agricultura.


Mas agora vem a parte que eu gostava que não fosse verdade, ter muita quantidade não é suficiente para tornar um jogo agradável e quando não existe equilíbrio entre quantidade e qualidade o resultado não pode ser muito favorável.
É verdade que temos aqui uma grande variedade de elementos de jogo, mas também é verdade que nenhum deles é particularmente bom, todavia o que mais me desagrada é que não existe uma boa ligação entres estes elementos de jogo a não ser na recta final onde a história começa a abrir, a acção a desenrolar e passamos por diferentes modos de jogo em tão pouco tempo que por momentos me fez esquecer as horas de aborrecimento e repetição que tive de suportar até chegar a este ponto do jogo.

A lenta progressão da história, o baixo número de áreas e a falta de diversificação das missões e sub-missões estão por detrás do dito aborrecimento e repetição. O jogo desenvolve-se à medida que vamos completando as missões principais e estas missões requerem que andemos constantemente para trás e para a frente nas mesmas áreas a completar, com algumas excepções, sempre os mesmos géneros de objectivos como por exemplo matar isto ou apanhar e entregar aquilo, pior ainda são as missões secundárias que nos fazem passar por moço de recados, felizmente estas missões secundárias são completamente irrelevantes para a história e para o próprio jogo, e apenas são necessárias para os que procuram alcançar os tão desejados troféus.

O sistema de combate de Nier é bastante simples e apesar de não ser um sistema excepcional, funciona. Temos a típica combinação de ataques que nos leva a premir o mesmo botão repetidamente juntamente com algumas acções básicas como esquivar, saltar (incluindo o duplo salto) e defender.
À medida que se vai avançando na história vamos desbloqueando ataques mágicos que variam entre ataques de longo alcance, ataques que abrangem uma área maior, ou até mesmo invocar um escudo, o que não é muito agradável é que para se poder equipar mais do que dois ataques mágicos em simultâneo temos de abdicar das acções básicas de esquivar e defender que são sempre úteis em combate, sendo que para equipar-mos diferentes ataques mágicos é necessário pausar o jogo e definir-mos estes através dos menus, o mesmo acontece com a utilização de itens e a troca de armas, é um pouco chato ter-se que parar o jogo sempre que se quer efectuar uma troca, mas para compensar os menus são simples de navegar e as paragens nunca são muito prolongadas.

Existe um total de três grupos de inimigos embora cada grupo tenha formatos e tamanhos diferentes, os inimigos mais relevantes no jogo são os Shades, estes inimigos estão directamente relacionados com o enredo do jogo e como tal são os inimigos mais perigosos e que mais variedades apresentam, depois existem as máquinas, robôs da antiga civilização (no espaço temporal do jogo) que utilizam ataques mágicos (na sua maioria bolas mágicas que simulam o à pouco falado género HellShooter) e são uma boa fonte de materiais utilizados para evoluir as armas, por fim temos os animais, que são basicamente ovelhas, bodes ou javalis (este último depois de derrotado pode ser montado e usado para viajar mais depressa, a sério!).


Apesar dos controlos funcionarem o suficiente ao ponto de não estragarem a jogabilidade, estão longe de serem perfeitos o que torna o combate um pouco trapalhão, além do mais nem sequer existe um sistema que nos ajude a focar a atenção nos inimigos, algo ao estilo do sistema Lock-on, o que faz com que em combates contra um baixo número de inimigos andemos a cortar o ar, mais vezes do que aquelas que gostaríamos de fazer, o mesmo acontece com os ataques mágicos onde temos de fazer pontaria, ás vezes é quase impossível focar a mira num específico ponto porque ao menor toque a mira move-se demasiado. Mas este é um aspecto que durante a maioria do tempo passa despercebido porque normalmente enfrentamos múltiplos inimigos e neste caso a falta de precisão pouco importa.

Felizmente, não estamos sozinhos nesta aventura e não demora até que outras personagens se juntem à nossa causa. Apesar de termos múltiplos aliados apenas temos controlo directo sobre a personagem principal deixando a IA a cargo dos nossos aliados, o melhor que podemos fazer é pausar o jogo e através de um simples menu mudar o estilo de combate dos nossos companheiros entre lutar sem restrições, ajudar a personagem principal ou ficar longe de perigo, o lado negativo disto é que a IA é um pouco fraca e os nossos aliados caiem em combate muito facilmente, para não falar que não se nota alterações quando mudamos o estilo de combate, se pedimos para se manterem longe de perigo eles continuam a ser atingidos constantemente.

A apresentação de Nier é que me deixou um pouco confuso, por um lado temos uma apresentação gráfica muito fraca, cores deslavadas, ambientes vazios, sem detalhes e sem graça, ao menos os modelos das personagens e dos monstros estão um pouco melhores e as enormes quantidades de sangue vermelho vivo que saem dos infelizes que cortamos aos bocados dão um pouco mais de satisfação aos combates. Mas depois temos uma apresentação sonora que é oposto da gráfica, a banda sonora apresenta uma boa variação e qualidade existe talvez uma música que passado vários minutos seguidos a ouvi-la torna-se um pouco irritante. O trabalho de vozes está fenomenal e consegue dar carácter às personagens e ao próprio jogo, é muito agradável ouvir as conversas entre a personagem principal e o Grimoire Weiss, o livro mágico que fala sempre com um ar superior ou então os diálogos que envolvem Kainé (uma rapariga com um vocabulário muito sujo), os efeitos sonoros também estão bem conseguidos.

É uma pena que não se tenha conseguido balancear todos os elementos presentes no jogo, uma maior diversificação e intensidade no desenrolar da história também era bem vinda porque no fundo o jogo tem ideias interessantes e uma história original e criativa. Não aconselho que gastem 69€ num jogo que apenas consegue dar umas horas de pura diversão, mas a qualidade da história e das personagens é merecedora de uma vista de olhos se encontrarem o jogo à venda por uma preço mais razoável.

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