Análise Split/Second: Velocity

por: marcio1986 a: 2010-10-22 às: 23:09:40

Um jogo que nos proporciona corridas vertiginosas e explosivas, mas que sofre da falta de variedade e personalização.

Split/Second baseia-se em um reality show, algo ao estilo de um Big Brother, mas em vez de uma casa com alguns metros quadrados temos uma cidade com algumas milhas quadradas e em vez de um grupo de pessoas a fazerem coisas que não interessam a ninguém temos um grupo de pilotos que têm como objectivo destruírem-se (literalmente) uns aos outros.

Eu diria que S/S é uma mistura entre um videojogo de corridas de arcada onde as físicas realistas são deixadas de parte em troca de corridas velozes e divertidas e um videojogo de corridas de Karts, mas no lugar de cascas de banana espalhadas pelo meio da pista ou de andarem a voar carapaças de tartaruga, temos prédios a cair sobre nós ou Boeings 707 a despenharem-se na nossa direcção. Mas esta última afirmação até nem é bem verdadeira visto que não são os carros que estão artilhados até aos dentes, mas sim as pistas que estão repletas de armadilhas prontas a explodirem para enviarem o nosso lindo carro desportivo para a sucata.


O modo Season é composto por doze episódios que definem a primeira temporada da série televisiva Split/Second, o alucinante Reality Show que promete tornar as tardes dos telespectadores mais explosivas. Cada episódio é constituído por seis eventos onde quatros deles se encontram automaticamente desbloqueados enquanto que os restantes dois apenas podem ser acedidos quando certos objectivos são alcançados como ganhar um x número de créditos (que podem ser adquiridos quando se termina um evento), ou destruir um número especifico de carros num episódio. A não ser que comprem os pacotes disponíveis na PSN que desbloqueiam todos os carros e pistas este é modo que vão querer passar primeiro para obterem o conteúdo bloqueado, porque se fizerem uma corrida online sem um carro topo de gama não vão ter muita sorte e mesmo que tenham um carro bom, mas não tenham conhecimento das pistas e das armadilhas é provável que a coisa corra mal por isso é sempre uma boa ideia passar o modo Season.

Como já foi referido o S/S possui uma característica inovadora que consiste em utilizar armadilhas, activar atalhos ou até mesmo efectuar alterações no percurso. Todas estas acções são conhecidas por Power Plays, de maneira a que um jogador possa evocar um Power Play este deve efectuar algumas manobras durante a corrida como por exemplo efectuar um Drift, dar saltos ou resistir a ondas de choque, de modo a preencher a barra de potência, assim que pelo menos um dos três segmentos na barra de potência é preenchido o jogador pode activar um Power Play. Existem algumas acções que provocam maior impacto e que apenas podem ser utilizadas quando a barra de potência é totalmente preenchida por isso cabe ao jogador decidir quando deve utilizar os seus Power Plays introduzindo assim um elemento estratégico nas corridas.

Existem ao todo seis modos de corrida embora dois desses modos partilhem algumas características provocando uma experiência mais ou menos idêntica, mas comecemos primeiro pelo modo Race que são as corridas "normais" onde não existem mais nenhumas variáveis para além das armadilhas comuns, neste tipo de corrida existe um máximo de oito carros em pista tanto offline como online, neste tipo de corrida nota-se que os carros conduzidos pela IA não respeitam as regras, o que significa que os carros fazem os impossíveis para manterem a corrida activa o que por um lado até pode ser positivo, mas quando nos encontra-mos a 5 segundos do segundo classificado e em menos de 2 segundos vê-mo-lo a passar por nós como se tivesse-mos parados é um pouco frustrante, a activação dos Power Plays é outro aspecto em que a IA também não segue as regras, a activação de um Power Play requer se esteja a uma certa distancia do carro à nossa frente, mas a IA activa Power Plays sem sequer estar no nosso campo de visão o que mais uma vez é muito injusto.


O modo Detonator é uma espécie de "Time Trial" mas com uma pitada de destruição. Neste modo o nosso objectivo é conseguir o melhor tempo possível enquanto vamos tentando evitar as armadilhas que se vão activando automaticamente ao longo do percurso, este modo é particularmente bom para se ir tomando nota dos locais armadilhados e estudar qual a melhor estratégia para evitar cada armadilha.
A seguir temos um modo que já não é uma novidade, o modo Elimination já tem sido utilizado noutros jogos de corridas, temos um contador decrescente que sempre que chega a zero o ultimo classificado é eliminado, ou neste caso destruído, mas o nosso mundo muda por completo quando pensamos que estamos livres de perigo e sem aviso prévio somos apanhados pelo braço de uma grua, agora estamos em ultimo e a segundos de sermos eliminados o que pode ser algo frustrante, mas é por esta mesma razão que o jogo mantém-nos alerta desde o principio ao fim da corrida.
Quanto ao modo Survival, coloca-nos numa variação das pistas existentes no jogo, que nos fazem andar constantemente em círculos, mas enquanto andamos ás voltas temos pela nossa frente camiões carregados de barris explosivos e como se isto não bastasse existem dezenas de carros cujo o único objectivo é estorvar a nossa condução e dificultar a nossa já difícil tarefa de evitar os barris que caem dos camiões. Os camiões libertam dois tipos de barris, os azuis que não destroem o nosso veículo mas que provocam ondas de choque e os vermelhos que destroem o nosso veículo se tiver-mos o azar de ser atingidos por um, o nosso objectivo é conseguir alcançar a melhor pontuação, quando o tempo acaba a corrida não termina, em vez disso a corrida entra em morte súbita e os camiões começam a libertar barris vermelhos sem parar, quando um desses barris enviar o nosso carro pelos ares é game over.
Por fim temos dois modos que são muito semelhantes, Air Strike e Air Revernge, ambos os modos partilham de algumas características como por exemplo ter um helicóptero a perseguir-nos pela pista e a enviar-nos ondas de misseis atrás de ondas, a diferença é que no modo Air Strike o nosso objectivo é evitar os misseis e conseguir a melhor pontuação possível e no modo Air Revenge temos de destruir o helicóptero o mais rápido possível, para tal temos de preencher a barra de potência e utilizar os Power Plays para enviar a onda de misseis de volta para o helicóptero, preenchendo a barra de potencia ao máximo irá provocar mais dano no helicóptero.

Todos estes modos, inovadores ou não, conseguem dar uma experiência diferente e divertida mesmo quando os carros conduzidos pela IA tentam estragar a diversão fugindo ás regras e utilizando físicas irrealistas ou quando no modo Survival o ecrã fica tão preenchido com peças de carros destruídos que se torna praticamente impossível de ver os barris. Existe também um ou outro acontecimento estranho que por vezes consegue fazer-nos gritar uns quantos nomes à T.V. como o carro explodir com um leve toque na parede ou o carro perder o controlo estranhamente, mas nada que aconteça com muita frequência ou que tenha demasiada importância que estrague a experiência.



O que realmente é importante de mencionar como ponto negativo são as poucas opções e falta de conteúdo existente no jogo. Pistas, existem apenas onze com um espaço vazio provavelmente para futuras pistas que virão a ficar disponíveis como conteúdo extra, o número de veículos existentes não é mau de todo o problema é que estes não podem ser alterados em nenhum aspecto excepto na sua cor, o que significa que à medida que se vai desbloqueando carros mais potentes, os mais fracos vão caindo no esquecimento até que chega-mos ao ponto em que a nossa escolha reside entre três ou quatro carros o que limita bastante a experiência especialmente no modo online, que por si só já se encontra consideravelmente limitado com as escassas opções. Apenas podemos optar por nos juntar-mos a uma sala pública, criar uma sala privada ou aceitar convites de outras salas privadas. Na sala pública apenas podemos escolher o modo de corrida tudo o resto desde pistas a número de voltas é escolhido aleatoriamente pelos servidores da Blackrock Studio, como anfitrião de uma sala privada podemos convidar amigos, escolher o modo de corrida e a pista, mas só jogadores convidados podem entrar na sala. É uma pena que o modo online não dê mais liberdade aos jogadores porque as corridas online duplicam a intensidade e a diversão que as corridas offline conseguem dar, porque sente-se que não estamos a ser injustiçados com conduções duvidosas, existe muito mais destruição e estamos constantemente a ser surpreendidos por Power Plays inesperados.

A compensar a falta de conteúdo está uma apresentação muito bem conseguida com gráficos vistosos onde as pistas embora algo repetitivas pelo seu aspecto urbano estão muito bem desenhadas com bonitos efeitos de luz, os veículos embora sejam fictícios estão bem desenhados, apenas desgosto do facto de serem na sua maioria carros exóticos, um pouco mais de variedade era bem vinda. Depois temos uma banda sonora que consegue acompanhar a acção que está a acontecer na pista, apesar de me parecer que as músicas podiam estar melhores, mas claro que isto é apenas uma opinião e cada um tem o seu gosto, o mesmo já não posso dizer dos efeitos sonoros que estão excelentes, desde os roncos dos motores ás explosões enormes que com um som bem elevado nos faz parecer que a nossa própria casa está a cair.

Split/Second Velocity pode não ser um jogo que consiga manter o entusiasmo durante um longo período de tempo, mas o seu conceito original de utilizar a pista como uma arma é o suficiente para tornar qualquer modo de corrida numa nova experiência que apesar de ter as suas limitações consegue divertir e deixar qualquer amante da condução viciado. É um jogo a ter em conta se procuram algo diferente no género de corridas.

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